Friday, April 6, 2012

Metalist 1-1 Sporting

Não caíram de pé. Continuam a andar.

Mais que o jogo, cujos reais pontos de interesse foram o golo do van Wolfswinkel à Jardel a responder a grande passe do Capel, as defesas do Rui Patrício, inclusivé o penalty defendido com toda a intenção, e a (mais uma) exibição de uma equipa extremamente solidária, colocando o esforço, a dedicação e a devoção em campo, graças ao catalisador que é o treinador verdadeiramente leonino que está no banco, a caminho de mais uma caminhada Europeia que vai deixando comentadores e adeptos adversários com espuma aos cantos da boca,

mas mais do que comentar tudo isso que se passa dentro das quarto linhas, tarefa para a qual não tenho melhores qualificações que qualquer adepto em qualquer tasca neste país, continua a surpreender-me e a obrigar a comentar tudo o que rodeia o jogo:

Os comentários de quem passou a época inteira a apoucar o clube e o plantel, quase até à falta de respeito pelos pergaminhos de uma instituição centenária que vai permanecer viva muito após certos comentadorezinhos que vivem disso, estarem mortos e enterrados, e à falta de respeito no trabalho, quando fazem a comparação directa entre os que vencem ou empatam assim permanecendo em prova, fruto unicamente do seu suor e trabalho, e os das derrotas transformadas em vitórias morais, os que "caem de pé", os dos que "se não fosse o Platini"...

Porque durante uma década eu pessoalmente tive que ler e escutar adeptos adversários (e alguns na qualidade de comentadores profissionais, os tais), criticarem os lugares secundários no campeonato e qualificarem conquistas de Taças de Portugal e Supertaças de Portugal, como se nada significassem, enquanto as suas equipas do coração efectivamente militavam em posições que apenas lhes permitiam a disputa da Taça Intertoto ou taças entretanto feitas à medida, cuja conquista, mesmo assim, nem sempre dispensou forte auxílio arbitral...

E que são os mesmos que agora incham de orgulho por terem perdido por poucos frente a um qualquer ex-clube forte estrangeiro.

E que são os mesmos que justificam o empate na Ucrânia (frente a um clube que também já antes os colocou fora de borda da Europa), unicamente com o desempenho de um jogador de baliza, quando uma equipa são onze, mais substitutos e mais uma equipa técnica. (E que os adversários tinham pouco a ver com um grupo de metalúrgicos que se juntaram para dar uns toques na bola. Pelo contrário, há ali milhões investidos!)

São os mesmos que declaravam que ia haver goleada do Manchester City ao Sporting, mas que foi afinal ultrapassado pela classe, rigor e solidariedade dos leões.

Esses que, como eu já aqui referi, suspiraram pelo afastamento frente ao tal Metalist da Ucrânia, perante as perspectivas que lhes dava um golo no último minuto do jogo de Alvalade. Infrutífero, afinal perante o espírito de equipa do Sporting.

Que agora nos avisam da valia do Bilbao, contra quem o Sporting, asseguram mais uma vez, vai encontrar enormes dificuldades. "O Sporting atingiu já todo o potencial máximo para esta época", asseguram.

Há gente que tem andado em maré de azar tão óbvio (alguns com o azar de padecerem de óbvios problemas de saúde,previsões falhadas, despedimento por conduta incorrecta, derrota do clube que apoiam declaradamente) que ainda bem que torcem pelo clube adversário ao Sporting...

Não gostava nada de os terem a espalhar o azar (e a azia) cá para este lado...

P.S.: certo que o autor permite o meu abuso, que se exprime melhor que eu.


Insignificâncias
José Navarro de Andrade
Tinham razão, estávamos na corda bamba, há lá resultado pior do que ganhar 2-1 em casa numa taça europeia? Ainda se tivéssemos perdido 0-1, aí sim havia lugar à poesia, ao deixem-me sonhar de Florbela Espanca, ao suplemento de alma a que só os heróis acedem.
A muito custo lá conseguimos empatar. Caramba os amarelos eram uns génios, cada passada uma obra de arte, cada cabeça levantada na hora do passe um certificado de elegância, enquanto nós, miseravelmente, arrastámos pelo campo a nossa mediocridade. Ah, e se não fosse Patrício outro galo cantaria, Patrício que dir-se-ia ter aterrado ali por acaso durante uns minutos, exactamente aqueles em que fomos salvos do opróbio. E esqueçamos o rasgo fortuito, típico do futebol, em que um rapaz às riscas empurrou à cabeçada a bola para dentro da baliza, um imponderável que não voltará a conhecer.
Triste, triste Sporting, pela segunda vez consecutiva a suspirar pelo final do jogo, esbugalhado de corda na garganta, sem um assomo, um laivo de classe, de joelhos mesmo – ao menos soubessem cair de pé.
Agora sim, está tudo acabado. A ver se seremos capazes de manter um módico de dignidade após o esmagamento pela fúria requeté, afinal só conseguimos insensatamente e por coincidência adiar o descalabro previsto aos pés do colossal Manchester City (embora o Chelsea sempre tenha outro carisma, com quem perder é a glória) e às mãos dos Metalúrgicos da Ucrânia, senhores de um finíssimo futebol latino. Conformado, Sá Pinto ainda suspira: "temos que acreditar" - pobre inconsciente...

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