Sunday, April 8, 2012

Faça o favor de se sentar.


Ultimamente no mundo do futebol tem-se falado de muitas coisas. Por exemplo: arbitragens, mais arbitragens, árbitros e há ainda até quem fale de arbitragens fraudulentas. Enfim, ridículo. Quem percebe de futebol, sabe perfeitamente que a essência do futebol não se resume apenas a isso. Proponho então falar de, nada mais nada menos que... cadeiras.

Se bem se lembram, ainda não há muito tempo atrás, era algo que existia nos estádios de futebol portugueses... mas apenas nos privilegiados camarotes, bem como, na zona denominada de "área técnica", na versão de "banco". O resto eram “bancadas” em betão, frio e cruel. Eram algumas as técnicas usadas pelos adeptos para amenizar o contacto com a superfície gélida e de higiene duvidosa. Desde o jornal ao boné, passando pelo casaco e acabando na engenhosa almofadinha quadrada, valia tudo (até roubar os referidos items, aproveitando as distracções que as emoções dos jogos proporcionam). Sempre era melhor que ficar em pé, como acontecia em alguns sítios que se teimava em denominar de “estádios”.

O Euro 2004 pode ter sido uma autêntica tragédia grega, mas quem foi aos palcos assistir ao desenrolar da peça não se pode queixar do conforto proporcionado pelos milhões de cadeiras instaladas a propósito do dramático evento. Quem parece não ter percebido bem a ideia foram as claques de futebol. Ergonomicamente afoitas, nunca se habituaram há mudança de paradigma, insistindo em porem-se de pé em cima das mesmas ou colocando-as na cabeça dos outros, principalmente nas cabeças dos agentes da autoridade. Futebol é apenas futebol (sim, sim… ), mas também é fogo que arde sem se ver.

Ou não, como foi bastante visível no último derby lisboeta que colocou frente a frente o Sport Lisboa e Benfica e Sporting Clube de Portugal. Não foram só os corações (e os nervos) que se deixaram inflamar. Pelos vistos também as pobres cadeiras acabaram por ser vítimas dessa paixão contagiante. Amanhã à noite Sporting Clube de Portugal e Sport Lisboa e Benfica voltam-se a encontrar. Vou estar a torcer pelas… cadeiras.

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