Ainda assim, na primeira parte, vi um Sporting com vontade de fazer o seu destino. A enorme dificuldade, o meio-campo fortíssimo do Bilbao, invariavelmente recuperando todas as bolas, apesar da escolha de Carriço como trinco no onze inicial, assistido pelo Schaars, e surpreendentemente com o puto André Martins a dar os laivos de técnica no lugar do lesionado Matias Fernandez. Cumpriu muito bem, o puto. Mas o meio-campo era Euskadi.
Toda a gente tinha avisado da valia dos Leones de Bilbao. E faço notar que ganharam a alcunha, não por terem qualquer símbolo leonino no emblema do clube, que não têm, mas pela garra que colocam em cada jogo. A equipa leva para o relvado a essência de um orgulhoso povo cujas origens, milenares, ninguém conhece, que partilham muitos traços de ADN com os Irlandeses, e que são capaz de beber como eles, como eu bem descobri depois.
Média de idades? 21
Na segunda parte, chegou o golo, que vi na tv. Estava cavalheirescamente na fila para comprar uma garrafa de água, quando o golo aconteceu. Injusto. Não só pelo teor que levava o jogo até ali, mas pelo próprio lance. Parece-me que a bola bate no braço do Amorebieta, e ele obtém vantagem com isso. No seguimento do lance, surge o livre que dá o golo, capitalizando a desconcentração Sportinguista que não pode acontecer!
Regressei ao lugar, e o Sporting resolveu dar a volta. Sá Pinto abdica da luta perdida no meio campo, tira Carriço, e coloca Carrillo. Tudo mudou.
Voltou o futebol empolgante, jogadas de belo recorte, aplaudidas inclusivé pelos Bascos. van Wolfswinkel queimou oportunidades, mas Ínsua colocou justiça no marcador. Os adversários dizem que o redes ficou mal batido, mas eu penso que não.
Nesse momento, Sá Pinto volta a mexer, pensei que suicidamente: Entra o avançado Rubio para o lugar de André Martins. Meio-campo aluga-se!!
Mas é por isso que eu nunca vou ser treinador mais que no Football Manager.
Talvez entendendo que valia a pena capitalizar o pendor ofensivo que os jogadores demonstravam no campo, colocando a bola rapida e directamente no ataque, Sá Pinto mostrou que está feito um treinador capaz de rivalizar com o grande "El Loco" Bielsa, reconhecidamente um dos melhores do mundo, como se escutou durante toda a semana.
E assim surge o segundo golo do Sporting, num lance de Capel. Inspiração? Não. Já tinha exasperado as bancadas várias vezes antes disso, serpenteando com a bola para terrenos interiores, mas escolhendo sempre mal o timing de soltar a bola. Naquele momento, rematou. Grande golo. Bilbaínos rendidos. Eu, rouco.
A-Team
Destaco:
Izmailov. Não vai estar na segunda mão por acumulação de amarelos.
Capel, mochilas, por vezes individualista em excesso.
van Wolfswinkel, criticado até pelos adversários. É novo. Ainda...
André Martins. É um caso sério.
Ínsua. Livres, cruzamentos, remates de pé esquerdo. Agora, de cabeça...
Xandão, um pilar na defesa. Com ele, até Polga se aceita.
Rui Patrício, sempre ele. Espero que leve o momento de forma fantástico para o Euro.
Sá Pinto, não é sorte. É trabalho. Atitude? Garra? Trabalho. Só não me impressiona com os gestos e esbracejar desde o banco. Show off para as bancadas e câmaras, ou forma de viver o jogo?
A torcida Bilbaína. Eram cerca de 4 mil. Chegaram e sobraram para 40 mil. Sempre com correcção, sempre puxando pela equipa, pausaram quando se renderam ao futebol do Sporting e aos murros no estômago que foram os golos, mas voltaram ao apoio até ao final do jogo.
Encontrei-os depois, no Bairro Alto. Eu e mais uns poucos de camisola do Sporting, no meio de camisolas listadas verticalmente vermelhas e brancas num ambiente de pura camaradagem. Consegui pagar a primeira rodada de imperiais, e depois, nunca mais...
Só me envergonhei de ser do Sporting e Português no metro. Uma cáfila de adeptos leoninos que fez a viagem cantando que "Espanha é merda" perante o desprezo dos Bilbaínos e alguns Portugueses. Mas imediatamente a seguir demonstrando a pouca inteligência, cantavam o marcador do golo "Diego Capeeeeel! Diego Capel! Diego, Diego, Diego Capel!". Que é Espanhol... A ironia não escapou aos de Bilbao, que sorriram.


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