Wednesday, June 20, 2012

Classic Diggin' - Colômbia 89-94


Estávamos no final dos anos 80, onde os grandes cabelos despontavam no mundo e as atenções despertadas pelo Futebol e não só, apontavam à Colômbia
Pablo Escobar, conhecido barão de droga Colombiano, tinha recheado os bairros pobres de Medellin com campos de futebol de alta qualidade, fazendo com que os adolescentes da altura tivessem melhores condições de treino do que qualquer outro país sul-americano. Foram vários os jogadores que partiram desses campos para a ribalta do futebol mundial, ajudados pelos clubes nacionais que pagavam tudo o que fosse preciso para os segurar e para ir buscar os melhores de todas as cidades da Colômbia. Pablo Escobar  controlava o Atlético Nacional, clube da sua cidade, enquanto El Mexicano, outro traficante, controlava o Milionários de Bogotá. Depressa esses 2 clubes tentaram tomar a ribalta do futebol sul-americano, que até então era exclusivo do Brasil e da Argentina.
Em 1989, o Atlético Nacional conquistou a Libertadores nos penáltis, com o guarda-redes Higuita a defender várias grandes penalidades, dando assim a primeira vitória a um clube Colombiano na mítica Taça Sul-Americana.

Eram tempos difíceis, em que a guerrilha comandada por Pablo Escobar já tinha morto mais de 500 polícias, mas de vez em quando existiam 90 minutos de paz.
À semelhança do que acontecia na nossa guerra colonial com  os jogos do Benfica, durante os jogos da Colômbia, guerrilheiros e policias paravam as guerras e por vezes ouviam e assistiam a jogos lado a lado. O futebol era a única fonte de união entre Colombianos.
Escobar e o seu rival do Milionários, pagavam aos melhores jogadores da Colômbia, e alguns estrangeiros para jogarem no rancho de Pablo, apostando milhões nesses jogos. Os jogadores chegavam em aviões fretados e partiam no final do jogo.



Treinador


Maturana - O técnico vencedor do Atlético Nacional, assumia funções como técnico Colombiano após a conquista de 1989 da Libertadores, e levava a Colômbia ao campeonato do mundo após 28 anos. Ele escolheu os melhores de cada clube, e deixou-os jogar com a alma, criando uma super-equipa nunca antes vista naquele país. Não pedia marcações aos jogadores, preferindo deixá-los actuar conforme o que sentiam na altura. Isso deu-nos o momento mais inusitado da história do futebol mundial entre selecções, quando Higuita defendeu com o movimento de escorpião. Após essa defesa, no milésimo de segundo seguinte, Higuita olhou para o banco, para ver a reacção do seu treinador, que sorria e lhe chamava "hijo de puta".




Chegou aos 1/8 de final, no WC 90, partindo depois para Espanha para treinar o Valladolid durante 2 épocas. Regressou à Colômbia, para treinar o América de Cali, pertencente na altura ao também narcotraficante Gil Orejuela. Nessa altura, e ao contrário da mudança dos anos 80 para os 90, Pablo Escobar andava na mó de baixo, sendo assassinado em Dezembro de 93. Mas não morreu sem ver Maturana regressar à selecção Colombiana, e a ficar em 3º lugar na Copa América de 93.

Maturana fez 26 jogos até chegar ao Mundal de 94, entre qualificação e amigáveis, só perdendo um. Durante a qualificação, Higuita e Córdoba, o outro guarda-redes que substituía El Loco quando este estava preso, só sofreram 2 golos, alcançando assim um novo recorde de menos golos sofridos numa fase de qualificação para o Mundial.

Com a associação ao narcotráfico, os jogadores eram insultados quando jogavam fora, causando ainda mais vontade de vencerem os jogos. Mas, nos últimos jogos da qualificação, a Colômbia já não era associada à droga. Era associada a Higuita, Rincón, Escobar, Asprilla e Valderrama.
A confirmação da presença no Mundial foi em grande estilo, com uma vitória por 0-5 em Buenos Aires, contra a favorita Argentina, ficando assim a Colômbia a ocupar um lugar de destaque nos qualificados para o World Cup 94.

O que aconteceu em 1994, quase todos sabemos, com a Colômbia a terminar em último do grupo, voltando para casa sem glória após ter sido apontada por Pelé como a favorita.

Destaques

Higuita - Já foram ditas algumas coisas sobre ele, como o facto de ter sido essencial para a vitória do Nacional na Libertadores, o que originou um grande frenesim à volta da selecção Colombiana, e pela magnífica campanha que fez na qualificação para o Mundial de 94. Fica com a carreira manchada no mundial de 90, após sofrer um golo de Milla onde brincou com a bola quando não devia. Outra nódoa na sua vida, foi quando foi preso em 93, por incentivar o apoio a narco-traficantes e por tráfico e consumo de cocaína, falhando assim o Campeonato do Mundo de 94.

Óscar Córdoba - Era o suplente de Higuita em 89, e dividiu sempre a carreira internacional em alternância com o louco guarda-redes, sendo dele a baliza no campeonato do mundo de 94.

Luís Herrera - Um jogador menos dotado tecnicamente, era um do cérebros da equipa, e jogava com muita alma, contagiado pela genialidade e entrega dos seus companheiros de selecção. Durante o mundial de 94, sentiu muita pressão por parte dos traficantes Colombianos, quando raptaram o seu filho.

Freddy Rincón - O ala direito da selecção vinha dos clubes mais pequenos de Cali, mas depressa ganhou o seu lugar, sendo considerado por muitos como o que melhor futebol jogava, e também marcando muitos golos decisivos nas actuações. Após 94, e ainda novo, foi para o Brasil, onde ainda hoje treina o Flamengo de São Paulo, e ficou sempre relacionado com os traficantes que controlam os clubes pequenos de Cali.

Luis Perea - O experiente defesa acabaria por abandonar a competição prematuramente após o mundial de 94, desgastado com a corrupção que o tráfico de droga tinha trazido para o futebol. Foi um pilar importante na selecção durante o mundial de 90 e na caminhada para o de 94.

Faustino Asprilla - O temível e eficaz avançado Colombiano foi agraciado pelo próprio presidente da república, com um telefonema transmitido em directo pela televisão pública, onde o chefe de estado lhe agradeceu ter marcado um golo decisivo para o apuramento do mundial. Se existe alguém a quem podemos comparar o nosso Mantorras, é a este Colombiano, eficazmente trapalhão com golo estampado na testa. 

Adolfo Valência - Na sombra dos outros dois avançados, Valência era o talismã da equipa, resolvendo e marcando nas horas importantes, quando saltava do banco. 

Valderrama - O dono de um dos mais emblemáticos cabelos de todos os tempos, o Pibe Colombiano sentia a sua nação como ninguém, e vindo dos bairros pobres, sabia incutir a raça e o querer em cada aproximação à bola, ficando na história como um dos melhores médios de todos os tempos. Ao contrário do que muitos pensam , Valderrama era também dotado de uma inteligência fora do normal no futebol, digna dos melhores 10 que pisaram relvados. Foi também um dos poucos jogadores a manter-se alheio a contactos com os narcotraficantes, nunca cedendo a pressões para actuar nos clubes controlados por estes.

Andrés Escobar - Dotado de uma tranquilidade impressionante, era o verdadeiro pacificador do balneário Colombiano, o capitão era a ponte entre os jogadores de vários clubes, habituados a grandes rivalidades entre si durante todo o ano. O mais recatado da sua equipa, Andrés acabou por marcar o auto-golo que eliminou prematuramente os Colombianos. Passados poucos dias do regresso, Andrés Escobar foi assassinado, à porta de um bar, após uma rixa. Ainda hoje não se sabe muito bem o que aconteceu, mas a verdade é que não esteve associada a apostas ou qualquer outro tipo de especulação que se gerou na altura, menos favorável para o jogador. .

Leonel Alvarez - O trinco do Nacional nasceu num bairro pobre de Medellin, e graças à construção de campos de futebol nos diversos bairros, começou a conciliar o trabalho que tinha enquanto criança para ajudar os pais com o futebol. Foi ele que marcou o penalti decisivo da vitória do Nacional na Libertadores, após fazer uma "paradinha", enganando o guarda-redes.



Conclusão e tempos modernos

A super-equipa da Colômbia ficará sempre associada à guerrilha dos carteis e aos seus patrocínios, tendo sido "iniciada" por Pablo Escobar, e assistido ao degradar de tudo após a sua morte, em 93. Sem ninguém a mandar nas ruas, vários carteis e organizações criminosas surgiram, acabando de vez com o futebol, tanto por violência mortal em ajustes de contas nos estádios como com jogadores de futebol. Vários jogadores Colombianos viram as suas vidas ameaçadas, para além da morte de Andrés, fazendo com que as principais vedetas fugissem da selecção e do próprio país, entregue aos criminosos.

Nos tempos modernos, ainda existe uma grande influência dos carteis no futebol, cada vez mais fáceis de disfarçar devido às grandes quantias de dinheiro que o futebol moderno movimenta, dando uma grande fonte de lavagem de dinheiro. A selecção colombiana tem, novamente, uma equipa com alguns nomes sonantes, podendo regressar aos velhos tempos de há 20 anos atrás.

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