Hoje o clima acordou mal-disposto, sem grande vontade de colaborar com os estendais de roupa ou com os pássaros que vão fazendo ninho no topo dos plátanos que cobrem o solo dos parques urbanos.
O vento assobia, como quem marca uma posição perante a chuva, dizendo que ele é que manda, que a chuva é impotente perante uma força natural que a qualquer momento faz desabar a mais engenhosa construção da mão humana, e vai empurrando as gotas sem misericórdia, fazendo com que se despenhem contra um estore mal fechado duma qualquer casa caiada.
Neste momento, a depressão domina em Portugal, inflamada pela crise que afecta a carteira de qualquer Português, rico ou pobre, e alimentada pelo clima tempestuoso que se abateu sobre a Europa nos últimos dias, levando a que seja mais difícil seguir caminho, e pensar num futuro mais digno, não brilhante, mas digno. Alguns, partilhando do mesmo clube que eu, levam com o extra da incerteza em todos os campos desportivos, que também contribuem para um mal-estar psicológico que não devia, mas interfere com o nosso dia-a-dia.
Mas, clubismo à parte, todos os problemas parecem amar-se, andando de mãos dadas e com as línguas bem entrelaçadas, gerando uma baba que se abate sobre as nossas cabeças, levando à vontade de desistir de tudo, de mudar, de fugir, de fazer aquilo que não se sabe, que não se conhece.
Não sei o que vos vai na alma, mas acho que há alturas na vida em que nada mais nos resta senão aumentar bem o volume da música, dar um trago num licor forte e amarrar a vida cornuda pela ponta dos chifres, dando um grande pontapé no destino, mandar foder os mais incautos e seguir caminho, tirar as mãos dos sítios mais aconchegantes e agarrar uma qualquer foice que decepe os entrelaçados libidosos desses maldosos que são os problemas.
Aumenta a música, bebe um copo e canta, porque a vida é tua e é a arma mais importante que podes usar contra os problemas que a ela se apegam.
Viva a vida, viva o Benfica.
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